Coisa de Homem – 96

É preciso afastar-se da luz para admirar as estrelas.
preciso
afastar-se
da
luz
para
admirar
as
estrelas
.

Coisa de Homem – 95

Plantei pimentão vermelho, nasceu tomate cereja. Não espero da natureza humana ironia similar.

Até mais.

Coisa de Homem – 94

http://classiclit.about.com/library/bl-etexts/rlstevenson/bl-rlst-acr-12.htm

Fuck Yeah Seren Gibson.

Coisa de Homem – 93

Gostava da penumbra, pois, entre a matéria escura, tudo era belo; via-se o que apraz, via-se de tudo; eram todos os preconceitos anulados. Na penumbra, jogos de luz e sombra, a idade das trevas, a idade média, a busca pela iluminação; éramos todos crianças a brincar de ‘gato, mia’, éramos inocentes. Na penumbra, a culpa era absorvida pela matéria escura ao nosso redor.

Um de nós acendeu a  luz, e o silêncio ao nosso redor era denso. O odor do silêncio misturava-se ao suor dos nossos corpos, a juventude destilada permeando nossos corpos, um pouco de nossas vidas a sair dos corpos; todos ofegantes no mesmo recinto. Toda aquela luz a nos cegar, todo o calor das lâmpadas incandescentes, todo aquele vermelho a tingir as peles de nossos corpos. Vermelho.

Em silêncio, no escuro, beijei seus seios; pequenos, firmes, tímidos; era eu embriagado, afogado no seu suor, atento a ouvir suspiros, gemidos. Uma pausa: chegamos, daqui não há volta. Na penumbra, nem sequer uma palavra, quiçá uma sílaba, letra, um ranger de dentes. Não respiramos.

Mortos por um instante, fomos a lugar nenhum. Entre o piscar da luz, ficamos cegos, vislumbramos o pôr-do-sol, fomos ao fim, voltamos, sentamos no meio-fio de uma rua qualquer e, quietos, nada fizemos. Deixamos de querer.

A mariposa não desiste da luz. É o inferno.

Distante da penumbra, pensei por um instante. Pensar tirou-me do sério, do lugar comum, do conforto de mil anos em que deitei e deixei toda a minha pele; sou um pedaço de carne, na penumbra sou o que você quiser. A luz faz de mim um monstro vermelho, nervoso, pulsante; meu sangue repele insetos e o amor. Você admira asas de borboleta e quer tocá-las, não pensa que asas de borboleta fenecem após um ínfimo toque. São pequenos anjos caídos, as borboletas no jardim.

Coisa de Homem – 92

Sobre a violência contra as mulheres:

- Se eu sou o seu dono, faço o que quiser com você; se você não tem dono, faço o que quiser com você.

Não tem perdão uma babaquice dessas.

Coisa de Homem – 91


Fuck Yeah Daisy Lowe Fuck Yeah The Creation Fuck Yeah

Coisa de Homem – 90

Ao contrário dos meus amigos, que são uns frouxos, sou um homem de palavra; por isto minto descaradamente e abuso de todo o vernáculo existente. A verdade é que quero passar a mão na sua bunda, desde que você concorde que esta é uma boa idéia; e que esta foi sua.

Vamos aos fatos (?): sou expert em desfechos, meus amigos conduzem suas vidas emocionais tais quais crash-test-dummies; sou um entusista das colisões. Também aprecio ambientes controlados.

Ontem fui testemunha da união da minha Cynthia com o Rafa, que desde já considero meu, porque sou dono dos meus amigos. Uma união sobrecarregada de toda a breguice, toda a pompa, de toda a música ruim que um casamento exige; o evento aconteceu no Country Club da ciudad, mas a piscina do local estava vazia. Era a locação do próximo videoclipe do Lenny Kravitz.

Tenho filmados trinta minutos de sem-vergonhice que usarei contra todos n’um futuro próximo. O povo se beija, se ama, se abraça neste mundo cheio de espetáculos de desenvolvimento; o povo se esquece de cada bobagem… para isto serve o babaca: para servir o copo d’água suja ao entusiasta da ressaca moral.

Aos noivos, todo o meu amor. Talvez o único amor sincero que um homem qualquer pode oferecer; o amor ágape. Nâo aquele do padre Marcelo, aquela tolice televisionada em que se perde neurônios e pregas; escrevo sobre o amor de quem observa um treco do tamanho do Sergipe colidir com a Terra e só consegue pensar, enquanto curte uma viagem de Ritalina com o uísque batizado de um casório no Country Club:

- Que bonito.

Ah! Todas aquelas belas mulheres fantasiadas a dançar Katy Perry, e eu sem saber quem é Amélie Poulain; juro que torci para que rolasse alguma nudez, um peitinho travesso, um deboche qualquer à minha frente; nada. Todos sorriam para todas as fotos, todas as máquinas repetiam o mesmo flash; eram pessoas felizes, todas juntas nos fins do mundo.

Acho que vi uma estrela cadente. Pode ter sido uma cusparada.

Certos a Cynthia e o Rafa: quebraram tudo. Não sei se All You Need Is Love, porque eu curto uma pancadaria, mas (por um instante) ali, no meio daquela gente embriagada, eu vi a cobra morder o próprio rabo. E foi bom.

Sinceros votos de alegria e foda-se.

P.S.: Cynthia, agora que você é uma senhora, quero a coleção de Battlestar Galactica.

Coisa de Homem – 89

Entenda, minha querida, que o homem de bem aprende a mentir com a família.

É o doce que a vovó nos dá às escondidas, a fezinha que o vovô faz na loteria, é a espuma da cerveja do copo do papai no Domingo, é a mamãe fingindo que nos pôs de castigo; os lenços umedecidos da Vasp na bolsa da titia, o titio comendo a namorada no raso da piscina, as brincadeiras de médico e salada mista com as primas. É o trago no cigarro sem filtro da bisa.

Só você, querida, não suporta uma mentira. E quem ousa mentir para uma criatura tão linda? Pergunte à sua família.

P.S.: o menor dos males é o pau pequeno.

Coisa de Homem – 88

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Coisa de Homem – 87

Quero meu casaco de volta. Quero você junto com o casaco. Quero você no meu quarto. Quero você toda. Nua, vestida, melada, seca. Quero você em doses. Overdose. Quero você aqui. Quero já. Quero sem querer; sem justificativas, sem lábia. Quero seus lábios contra os meus. Quero seu cabelo entre meus dedos. Quero seus dedos. Para andar de mãos dadas rumo ao fim. Quero que isto acabe. Quero parar de pensar em você. Quero mais de mil beijos de 10 segundos, quero sentir seu calor, quero um abraço malicioso, quero as suas piores intenções. Quero você do seu jeito. Linda. Linda. Linda. Quero dizer em poucas palavras todas as bobagens do mundo, quero dizer que te amo. Ah! Quero sentir esta dor para sempre, esta dor de querer você grudada em mim. Quero me hidratar no seu suor, quero beber o seu gozo, quero morder a sua carne, olhar nos seus olhos para que você entenda que sou seu. Quero ser seu. Quero você.

Tudo para ter meu casaco de volta.