Coisa de Homem – 33

fevereiro 9, 2010 por brenobrites

Gisela Rao escreveu que o sexo é como War; primeiro conquiste a África para depois investir na Oceania. Tradução: brinque muito com a vagina antes de comer um cu.

Uma pesquisa apontou que apenas 20% das mulheres gostam de sexo anal. Não sou de acreditar em pesquisas, mas converso com as pessoas sobre sexo e raramente ouço uma garota assumir que gosta de um pau no rabo. O que mais ouço são reclamações sobre o assunto, o que é simples de responder.

Tem muito homem neste mundo que não sabe comer um cu, e isto não me ajuda em nada.

Você, homem afobado e ansioso, cheio de compromissos, se tem pressa, não pode fazer sexo anal; porque cu não é igual a boceta; não lubrifica e não dilata com facilidade. E não adianta forçar a barra, se a mulher não gosta por trás, não gosta e pronto; não tem papinho furado que resolva. Volte para a África.

Não existe receita para sexo anal, é um exercício de paciência, de muito diálogo, de intimidade e de gosto. Se você tem nojinho de cocô, se tem medinho de que a ponta do seu dedo fique com um cheiro diferente, se não gosta dos tons pastéis da vida, o cu não é para você. Porque tem muito cabra macho que tira onda com os amigos falando de cu isso e cu aquilo, mas que desmaia quando toma um jato de merda na barriga. Ora, seu moleque, estava esperando o que de um cu, alfazema do campo?

Também não esqueçamos da camisinha e de usar muito lubrificante, porque a seco, só lavagem. O sexo pode até ser sujo, mas que seja com o mínimo de responsabilidade. Machucar a parceira é a principal razão de elas não gostarem de sexo anal. E não adianta dizer que só vai colocar a cabecinha, porque pinto não tem ombro.

Uma amiga muito da esperta comentou uma vez que faz xuca de tempos em tempos. Escrevo isto rindo, porque deve ser um ritual escalafobético; não parece algo que você combina de fazer com alguém. “Ei, Breno, chega aqui em casa e me ajuda a fazer uma xuca, estou com vontade de dar o cu”. Gráfico demais.

Se tem uma coisa que aprendi com as mulheres, é que não é para qualquer um o acesso ao backstage; tem de fazer – e muito – por merecer. Agradeço a Gisela Rao por lembrar-me que é mais divertido consquistar continente por continete do que destruir os exércitos vermelhos ou conquistar 24 territórios.

Enfim, meu amor, “quero ver você não chorar, não olhar p’ra trás nem se arrepender do que faz”.

Coisa de Homem – 32

fevereiro 1, 2010 por brenobrites

O silêncio que existe entre nós.

As entrelinhas que existem entre o que dizemos um para o outro.

Entre o que não dizemos também.

Nós, tão próximos que nos emaranhamos.

Laços e abraços apertados, para que não haja espaço nem má interpretação.

Diálogos na calada da noite, no estrondo do dia, nas tardes quentes em que deitamos um do lado do outro para descansar.

Massageio os seus pés até você dormir.

Você diz que me ama, mas diz baixinho, porque assim dividimos um segredo.

Você pede para que eu não conte, eu esqueço.

Você tenta entender a minha solidão, mas não compreende que só assim sou pleno.

E sendo assim, sou todo seu.

Coisa de Homem – 31

janeiro 22, 2010 por brenobrites

Solidão.

O primeiro aniversário que passei em São Paulo, logo que entrei na faculdade; fui morar com minha avó, mas ela tinha passagem marcada para uma excursão, ficaria duas semanas fora. Meu tio foi visitar sua então noiva, atual mulher, no Sul; minhas tias tinham seus próprios compromissos com seus maridos; liguei para falar com meu irmão gêmeo, o Bruno, em Brasília, a casa estava lotada de amigos, uma barulheira boa; de lá todos iriam para uma festa na Miqra. A solidão bateu assim que desliguei o telefone, um silêncio ensurdecedor tomou conta de mim.

Decidi sozinho que não ficaria no apartamento, fui para a Avenida Paulista, sentei n’um boteco na Augusta, pedi uma cerveja, bebi comigo. Beber sozinho era novidade, mas no meio de tanta gente, não fazia  a menor diferença. Não tinha quem se importasse com minha situação, senti alívio. Naquela solidão imposta, artificial, dei uma volta pela cidade como o estranho que era, recém chegado, com as roupas de quem saiu de casa às pressas. Pressa nenhuma, pois só voltei para casa quando amanheceu. Não lembro de ter dito mais do que o necessário, não lembro de ter pensado em nada relevante; lembro de que não estava triste; estar só naquele momento não me incomodava.

Aprendi a apreciar estes momentos de solidão, são raros. A maior parte do tempo estou acompanhado, trabalho com o Bruno, moro com minha mãe, tenho amigos que moram aqui perto, a vizinhança toda me conhece; meu sobrinho vem toda semana aqui em casa. Fico só quando saio para caminhar, para comprar pão, pagar as contas no banco, quando busco o Bruno no aeroporto; quando leio um livro, escrevo ou quando escolho ficar em casa assistindo a qualquer seriado que passa na TV ao invés de ir a uma festa. E quando sento em frente ao computador, vez ou outra encontro a Cynthia e passamos horas trocando mensagens pela Internet. Quando sento para escrever estas coisas de homem, estou só.

Há dois anos atrás, viajei para o Nordeste, à época namorava. Ela ficava na cama por mais tempo, eu levantava todos os dias às 5 da manhã e ia para a praia, passava duas horas no mar, sozinho; era tudo meu. Aquela sensação, ainda carrego comigo, para qualquer lugar. Se canso da multidão ao redor, penso naquele momento e lá estou; carrego comigo o mar, os amigos, a família, a Avenida Paulista inteira.

Solidão esta que me aproxima cada vez mais de quem eu amo.

Coisa de Homem – 30

dezembro 31, 2009 por brenobrites

Retrospectiva 2009 – marromeno, mas tá valeno.
 
- Arruda

 As cenas do governador do DF deitado e lânguido ao receber sua féria e de sua corja nefasta colocando dinheiro em suas bolsas, meias e cuecas são nítidas, só o DEM e a Justiça Federal as chamam de imagens suspeitas. A sugestão de filmar a bandalheira toda foi, suspeita-se, do Roriz. Ninguém renuncia, ninguém expulsa ninguém; e ainda os safados ficaram com todo o panetone das criancinhas. Ano que vem, ano de eleição, ano de Copa, será um daqueles atribulados. E a vida do babaca é muito atribulada. Dois aviõzinhos naquele Congresso, senhor Osama, por favor.
 
- Obama
 

O primeiro presidente negro dos Estados Unidos, prêmio Nobel da Paz, vai fazer, tal qual todos os presidentes estadunidenses, a mesma manobra política: conduzir o trem pelos trilhos. Vai para esquerda quando tiver de ir, para a direita quando for conveniente. E o trem americano, esta máquina obsoleta, é o maior emissor de gases do planeta.
 
- COP15
 

Pelo andamento das discussões sobre meio ambiente e impacto ambiental e emissão de gases e poluentes e lixo atômico e energia renovável e sabe-se-lá-o-que-mais-eles-discutem-por-lá; acredito que estas reuniões não passam de uma desculpa esfarrapada para uma cambada de chefes de estado playboys desfilarem em carros de luxo, comerem caviar de esturjão, usarem suas roupas feitas sob medida e levarem seus animais de estimação para cagar no quintal do vizinho. É festa, não é sério. Se o fosse, nossos digníssimos representantes fariam tudo via teleconferência, não precisariam de uma comitiva, nem de torcida organizada. Enfim, é um retrocesso. Mais um.
 
- Madonna no Brasil
 

A Madonna cabalística veio ao Brasil e encontrou a Luz nos braços de Jesus.
 
- Paula Oliveira
 

Brasileira grávida perde o bebê após ser agredida e mutilada por neonazistas na Suíça. Onde está o Wally? As autoridades de lá batem com as de cá, a imprensa de cá mais opinou do que informou, a imprensa de lá atacou a de cá e todos foram de mãos dadas para a casa do caralho rumo ao por do Sol. Para mais informações, consulte a vidente de sua preferência.
 
- Casamento entre homossexuais

México legalizou, Argentina legalizou e celebrou no dia 29 de Dezembro de 2009 o primeiro casamento homossexual da América Latina; o estado da Califórnia, no way. No estado do Governator não pode. O mundo todo deveria deixar casar quem quiser e isolar os EUA nesta questão; lá é a terra do cowboy de Marlboro, cabra macho. E macho que é macho só faz às escondidas. Kennedy fez, Obama deve fazer. O George W Bush, não sei. Ele era cheerleader.
 
- Sarney

Um dia seremos capazes de ouvir alguém dizer “Sarney? Nunca ouvi falar”. Até lá, denúncia após denúncia, nosso ex-presidente, ex-governador, ex-deputado, atual presidente do Senado ficará em sua salinha secreta no Congresso, assistindo a filminhos pornôs, cortesia dos acessores, colegas e lobistas da Casa, sem ser incomodado. Não é rabo preso, é uma anomalia. Todos aqueles farsantes nasceram com os rabos grudados, só intervenção cirúrgica resolve. Ou um tiro de misericórdia.
 
- Apagão

 A Hora do Planeta, promovida pelo WWF, leva 88 cidades de 37 países do mundo a apagarem as luzes de seus principais marcos por uma hora, em protesto contra o aquecimento global. E o Brasil antecipa a tendência – apaga 18 estados.
 
- Kanie West
 

Foi até lá para beber e cheirar de graça, interrompe aquela insossa da Taylor Swift, da qual nunca tinha ouvido falar até então, e manda o jargão mais engraçado do showbizz picareta estadunidense: Im’ma Let You Finish. Na falta de boa música, stand up comedy.
 
- O começo do fim da volta dos anos 80?
 
  Farrah Fawcet. Ela, um dos posters mais vendidos da história, ela de maiô vermelho sorrindo, aquele cabelão cheio de laquê,e que foi uma d’As Panteras originais; Patrick Swayze. Ele, que fez todo mundo Dirty Dance, que voltou do mundo dos mortos para a amada em Ghost, ele que foi um dos travestis em Wong Foo. Michael Jackson. Menino prodígio dos Jackson 5, gênio da música e da dança, criador do Moonwalk, lançou 3 discos fundamentais em carreira solo (Off The Wall, Thriller, Bad), o artista solo que mais ganhou Grammys no planeta. Onde quer que vocês estejam, mandem lembranças ao Cazuza.
 
- Geisy
 
  Só porque a Mum-ra da Hebe desqualificou a Geisy, não é que deu vontade de vê-la na Playboy? E no quesito educação, nota zero aos alunos da Uniban e à instituição, pela falta de civilidade, respeito; pelo comportamento retrógrado, cretino, preconceituoso, maledicente, falso e hipócrita de gente que acha que pode porque está pagando. Vão se foder, sou Geisy também.
 
- Battlestar Galactica
 
  Espero a Cynthia em Março com toda a coleção em DVD, para assistir, beber e fumar; fazer o que conversamos desde que começamos a escrever estes textos juntos. Se quiserem ter uma Cynthia em suas vidas, recomendo Battlestar Galactica.

P.S.: Clodovil, nós estamos bem aqui, nós estamos bem aqui, nós estamos bem aqui!

P.S.2: Esqueci de mencionar o Cai-Caetano Veloso. Um artista maduro.

Coisa de Homem – 29

dezembro 28, 2009 por brenobrites

Assisti ao Tropa de Elite semana passada, não tinha o feito antes por razões que não sei explicar; racionalizando agora, por pensar que tinha coisas mais importantes para fazer antes de assisti-lo; mas ao fazê-lo aceito que devo ter passado horas em frente à televisão e desconsiderei a hipótese de ir ao cinema por uma razão frígida: não sinto mais prazer em assistir a um filme na sala de cinema, sequer em primeira mão.

Eis que chega esta cópia em DVD do filme; sem aborrecê-los com detalhes, gostei do que vi e, em especial, do que ouvi. As frases de efeito são de um constraste bruto às imagens de violência e à fotografia estourada do filme; minha preferida é a seguinte:

- Quem quer rir,tem que fazer rir. (sic)

A frase isolada do contexto do filme foi um catiripapo. Hilária e desconcertante, com requintes de crueldade; fez-me lembrar do ridículo que passo de tempos em tempos sendo eu mesmo, porque sou homem e tenho dúvidas sobre o que faço e o que deixo de fazer; e se me arrependesse, talvez estivesse morto ou trancafiado em alguma cela acolchoada, ainda que acredite que isto só exista em filmes hoje em dia. A ironia.

Arrepender-se, isto não é para mim; rir e fazer rir é o que tenho feito há anos, e há quem confunda isto com palhaçada, coisa de gente recalcada, dos desafetos, invejosos e parasitas; eles prestam atenção demais nos outros e esquecem da própria vida, o que não tem a menor graça. E o palhaço é ladrão de mulher.

Ainda que muitas vezes sejamos surpreendidos pela lembrança das nossas boas e más escolhas, boas e más companhias, do amor e toda febre e sobrecarga que o acompanha; ainda que não demos conta, rir e fazer rir não é de todo mal.

Foi a frase de um filme que levou-me a outro, Oldboy, em que o protagonista aprende que “Se você rir, o mundo vai rir com você. Se você chorar, vai chorar sozinho“.

E assim, penso que não há musculatura neste mundo que sustente um sorriso eterno, e que não há quem suporte um sorriso duradouro. Nada como ter uma carta na manga, um coringa, para tais ocasiões.

Coisa de Homem – 28

dezembro 25, 2009 por brenobrites

Era para ter escrito um texto em parceria com a Cynthia, mas não conseguimos sincronizar nossos relógios. Coisas do espírito natalino.

Todo fim de ano faz aflorar uma certa viadagem em determinadas pessoas, algo que compreendo, mas não entendo. Viadagem para que? Emoções em demasia, nervos aflorados, gritinhos, sabe-se lá qual o propósito de tanto destempero. Acho graça, porque de faniquito só pode-se achar graça. E, claro, as verdades ébrias são um tempero destemperado aos nossos ouvidos. É graça for free e só melhora o fim de ano. Porque fim de ano é assim: ao extremo. Poderia ser mal escrito, inclusive. Mas não é o caso.

Esqueçamos o emocional, as pessoas cagam e andam e pisam no que cagam e abrem os dedos. Em tempo certo, haverá uma carniça das mais hilárias; perfume de urubu. São as boas idéias o que fazem de nós fáceis presas, é delas que abastecemo-nos de encrenca, da falta de critério e bom senso; quiçá fizéssemos o contrário: seríamos todos normais. Ninguém precisa disso.

Desejaria a todos um feliz natal se realmete acreditasse nesta baboseira; mas aceito deliberadamente a desculpa para beber e comer em sobrecarga por conta das festividades. Sim, na bubuia.

E o amor. Ele ficou um pouco enrrugado por conta da chuva. Não fez falta.

A quem interessar, bjmeliga.

P.S.: e não é que ela deixou recado?

Coisa de Homem – 27

dezembro 6, 2009 por brenobrites

Curiosidade mórbida da minha parte, gosto de observar situações de desordem; gente bebum se divertindo até cair no chão, os amigos cantando fora do tom a plenos pulmões as músicas de amor; aquele amor que tanto ouvimos falar, mas nunca sentimos. Porque não é amor, é dor de cotovelo.

Acho lindo as pessoas se abraçando na pista de dança, chega um mais empolgado e derruba geral, festa de casamento com mulheres lindas, descabeladas, a maquiagem derretendo, os cabelos cheios de grampos sintonizando as ondas do rádio; consigo ouvir ao longe; nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Brega de tão bom.

Não consigo esconder aquele sorriso de desprezo quando noto algum desafeto meu dando de ombros para meu estado de contentamento quando toco guitarra pulando, as meninas cantam e dançam, os meninos batem palmas, gritam a letra como podem, e o babaca fica de longe pensando qualquer coisa que não me interessa. Vai nessa, ninguém liga para a chatice que é ficar ali no meio de tanta alegria. Alegria é pimenta no cu de gente chata.

Sou tão pé frio que não assisti ao último jogo do Timão neste campeonato brasileiro canhestro; 3 a 0 para nós, vamos comemorar bebendo menos, falando menos, sonhando um pouco mais; amanhã eu penso no trabalho; hoje vou juntar os pontos, bater papo com meus irmãos, aproveitar que está chovendo e usar aquele moletom feio que a ex namorada detestava, a camiseta de ontem; gosto de estar desbotado no momento; nunca em tons pastéis, jamais em trapos.

Gosto de ouvir uma pessoa tímida abrir seu coração para mim, gosto de ser abraçado por gente querida e pelos ilustres desconhecidos que surgem de tempos em tempos. E acho incrível que meu amigo de infância não atenda o telefone; deve estar fazendo merda.

Eu acho graça das bobagens que ouço em minha cabeça, das imagens distorcidas que construo antes de escrever uma canção, acho incrível ter imaginação para fazer uma mulher diferente todo dia, combinando as partes das mulheres que amo com as que poderia amar, a Marina com a Sasha Grey; a desordem que tanto me apraz começa em mim, e a reconheço ao meu redor, mas ela não é minha, não é de ninguém; é natural.

Ainda bem.

Coisa de Homem – 26

novembro 26, 2009 por brenobrites

Conversas de bar só são interessantes quando as partes envolvidas atingem o pileque; nada como umas doses de álcool para destravar línguas e juízos, excitar discordâncias; presentear-nos com pérolas como esta:

- Eu sei pagar boquete, mas não gosto.

Parabéns, minha querida, você acabou de espantar todo um grupo de homens, os que estavam à mesa, o garçom, os transeuntes, até o tiozinho que saía cambaleando do banheiro sentiu o baque da sua afirmação.

Não que o sexo oral seja uma obrigação, mas a certeza de que um boquete está fora de cogitação é grave; só não é mais grave do que a impressão de que a mulher não gosta de pau a ponto de sequer encará-lo de frente, quanto mais de pô-lo na boca.

O pau não é uma entidade, faz parte da anatomia masculina, é uma das características do nosso fenótipo; não é uma imposição do gênero, mas um componente da nossa natureza. Que triste constatar que existem mulheres que sentem medo, repulsa, trauma de parte da nossa anatomia; deste corpo cavernoso que passa mais tempo escondido e mole do que ereto e exposto.

Triste também que exista homens que usem de toda a anatomia inerente para impor suas inseguranças, preconceitos, a violência covarde, o desrespeito, a perpetuação de uma mentalidade retrógrada; homens que abordam meninas que se tornam mulheres acuadas, inseguras, silenciosas; mulheres que não gostam de qualquer coisa que lembre um homem, a começar pelo pau; mulheres para quem o sexo é uma imposição social, um dever sujo.

Não há sujeira nenhuma em gostar de alguém plenamente, não é uma obrigação, mas uma manifestação completa de afeto. Sexo oral faz parte da intimidade de quem se relaciona; é fantástico quando feito consensualmente. É natural.

Assim sendo, para os homens vale lembrar que toda buceta é sensível e deve ser estimulada com gosto; também vale lembrar que não se ganha um boquete decente usando a cabeça da parceira como um espremedor de laranja.

E para as mulheres, todo pau é sensível e deve ser manipulado com carinho; não vale apertar nem morder com força, também não vale só dar uma lambidinha com a ponta da língua.

Enfim, o sexo oral é para ser encarado de frente, sem medo ou vergonha; trata-se simplesmente de cair de boca em toda a extensão do corpo de outro alguém. Sejamos menos caretas; se for para não gostar de algo, que seja da ignorância que insiste em fazer parte da nossa cultura.

Coisa de Homem – 25

novembro 23, 2009 por brenobrites

A constatação do fim de semana: todos os meus namoros acabaram em Novembro. Pensei nisto, achei graça, coisa do fim de ano. Eu acho graça de quase tudo, só não fico sorrindo feito um bobo alegre porque não sou alegre o tempo inteiro.

Presto atenção nas conversas, nos amigos que reclamam de suas vidas afetivas, nos amigos que insistem no erro; o sujeito que não gosta da namorada, mas prefere continuar com ela por comodismo; o amigo que está ficando com a ex-mulher, o irmão que se apaixona, chega em casa e passa uma hora me dando lição de moral. Sim, acho graça.

De repente, comecei a gostar dos Novembros, dos desfechos nesta época do ano; gosto deste Novembro em que não está chovendo, aprecio este calor diferente, o Novembro do churrasco, da música, da piscina, das cervejas geladas e doses de cachaça na xícara; dos amigos todos embriagados lembrando que amanhã é Segunda, mas que se foda, pega uma cerveja quando voltar, beleza? Aquela preguiça boa e a assistência de quem se gosta; todos juntos na mesma preguiça, a preguiça sensível do fim do ano; do Novembro sem chuva.

Neste Novembro em que não ando de mãos dadas com ninguém, uma mão segura a cerveja, a outra segue boba, belisca uma bunda ali, aperta uma cintura acolá; acena para todas.

Mãozinha esperta.

Coisa de Homem – 24

novembro 10, 2009 por brenobrites

O fim é essencial. Foi o que pensei quando decidimos, Cynthia e eu, escrever sobre o assunto.

Ainda que não pense em relacionamentos com prazo de validade, e conheço gente que pratica este esporte com espartano rigor, a idéia de que o amor pode acabar a qualquer momento é eletrizante. E acaba assim, como começa, do nada.

Gosto do desfecho, o namoro que acaba mal resolvido é um encosto; vamos deixar claro que acabou e seguir cada um para o seu lado, sem esta herança maldita. A idéia de deixar o fim de uma relação mal resolvido causa-me aflição; sou homem de sumir e esquecer; não sofro de nostalgia. Desabafo e aborreço os amigos e irmãos por dois meses, tiro a pessoa do meu sistema, exorcizo.

É mais leve aceitar o fim do que carregar as relações de outrora na memória, é um desperdício de saúde viver com a cabeça no condicional.

Tenho a sorte de o fim dos relacionamentos ser um choque repentino, não sou pego desprevenido graças a minha imaginação fértil, porque esgoto as possibilidades, mas sou atingido por situações pouco convencionais que confirmam o que nós, tolos que somos, os homens, evitamos cogitar; acabou, já era, ela está em outra, faça o mesmo, burrão.

A tristeza que sinto ao fim de uma relação é fútil, eu curto a fossa em doses cavalares de toda cachaça que botarem na minha frente, falo coisas sem sentido; caio numa desgraça que é só minha. Uma fossa exagerada e induzida, para sair dela o mais rápido possível. Porque ficar de bode por muito tempo me aborrece. Sim, neste aspecto sou superficial ao extremo.

Não fico olhando fotos, não tenho problema com esta ou aquela música que ouvíamos juntos, com filmes, peças de roupa, presentes; também não sou amigo de ex-namorada. Tenho a sorte de não vê-las; penso que elas sentem a mesma sorte em relação a mim. Um desfecho bom para ambas as partes. E não falo mal de ex para os outros, tenho isto bem resolvido. É correto encarar o fim com discrição.

Que sejam felizes todas as mulheres que amei; que sejam felizes todas as mulheres que amo; que sejam felizes todas as mulheres que amarei. E se eu puder ser feliz ao lado delas, que seja até o fim. Pois o fim está próximo.

É uma beleza.